Fisioterapia Para Cães

Fisioterapia para cães

Olá pessoal, eu sou a Elayne sou Médica Veterinária e também mamis do trio mais lindo do instapet o @abdospoms. Hoje vamos falar sobre minha área de atuação na veterinária, sou especialista em Fisioterapia para cães e outros pets como gatinhos e vou te explicar o que é isso e em quais momentos a fisioterapia pode reabilitar os movimentos dos cães: 

O que é Fisioterapia para cães? 

Assim como na medicina humana existem várias especialidades, na veterinária não é diferente. A fisioterapia consiste na recuperação, diagnóstico e prevenção de doenças que afetam todo o corpo do animal. Por exemplo: doenças articulares, musculoesqueléticas, alterações ortopédicas e até neurológicas. Também é preventivo, visando principalmente a qualidade de vida e diminuição da dor.

Para vocês entenderem um pouco melhor sobre o que eu acabei de falar, aqui vão algumas situações e doenças onde a Fisioterapia para cães é indicada:

Síndrome de Wobbler

A Síndrome Wobbler é a compressão da medula e de raízes nervosas causada por um estreitamento do canal vertebral, geralmente localizado na coluna cervical (entre C5, C6 e C7). 

As alterações nestas vértebras, podem causar bastante desconforto (dor) no paciente podendo afetar a mobilidade. O paciente pode apresentar os seguintes sintomas clínicos: 

  • Dificuldades para sentar/ levantar;
  • Incoordenação 
  • Perda de movimentos dos membros em casos mais graves..  

Essa doença é mais comum em raças de porte grande ou gigante como Dogue Alemão, Rottweiler, Mastiff, Doberman e Dálmatas.

O diagnóstico é feito por meio de exames de imagem como Raio X, mielografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética associada ao exame clínico.

O tratamento dos pacientes que apresentam sintomas brandos, é baseado em restrição de atividade física e o uso de medicamentos se faz necessário. Enquanto em casos mais graves a melhor opção é a cirurgia para realizar a descompressão da medula e suas raízes nervosas seguida de fisioterapia para controle da dor e reabilitação do paciente.

Luxação de Patela

A luxação de patela é uma das alterações mais comuns quando o assunto é o joelho dos cães.

Essa alteração consiste no deslocamento da patela da sua posição anatômica e quando ela sai do seu lugar, esse movimento gera uma tensão nos tendões e nos ligamentos da região além de uma leve torção da tíbia e uma compressão do menisco.

Os cães podem adquirir de forma traumática, ou nascerem com a luxação. No caso da herança genética algumas raças são mais acometidas que outras, dentre elas estão: Poodle, Spitz Alemão, Maltês, Shih Tzu.

Podemos classificar a Luxação de patela em graus de acordo com a gravidade: I, II, III e IV.  e como saber se seu cão tem a patela luxada? Bem, o sinal clínico mais clássico dos cães que têm luxação de patela, é a claudicação (nome técnico que usamos quando o paciente está mancando).

O tratamento pode ser conservativo no casos de luxação grau I e II. Então o uso de medicamentos analgésicos, antiinflamatórios, suplementos e dieta para controle de peso se faz necessário.

Nos casos de luxação grau III e IV a cirurgia é mais indicada como tratamento principal. Mas o tratamento conservativo também deve ser reforçado nesses casos.

A fisioterapia para cães é indicada para todos os pacientes que apresentam qualquer grau dessa comorbidade. Podemos atuar ajudando no controle da dor e fortalecendo a musculatura.

Vale salientar que até 25% dos pacientes que apresentam a luxação de patela, podem sofrer como consequência a ruptura do ligamento cruzado cranial e artrose da articulação devido ao desgaste articular.

Cinomose 

A cinomose é uma doença causada por um vírus altamente contagioso e geralmente afeta animais jovens sem histórico de vacinação ou idosos com sistema imunológico comprometido. Mas pode acometer cães de qualquer idade também. 

A transmissão dessa doença acontece por meio de aerossóis e gotículas contaminadas em qualquer secreção do corpo. Por esse motivo a cinomose se espalha de forma muito rápida onde há uma concentração maior de cães (geralmente canis, abrigos, feira de compra ou adoção).

Antes dos animais apresentarem os sintomas clínicos, o vírus da cinomose permanece no organismo do animal de 3 a 7 dias num período que chamamos de incubação (período em que há o contato com vírus e início dos sintomas).

A cinomose tem 4 fases: 

Fase Respiratória:

Onde o animal passa a apresentar tosse seca ou produtiva, pneumonia, secreção nasal e ocular, febre. Porém, atente-se, pois essa fase pode ser facilmente confundida com uma gripe. 

Fase Gastrointestinal:

Onde o animal apresenta vômitos, diarréia que às vezes pode vir acompanhada de sangue, febre e falta de apetite. 

Fase Cutânea:

Caracterizada por lesões chamadas pústulas (bem parecidas com espinhas), a pele dos coxins e do nariz podem ficar ressecada e completamente áspera…

Fase Neurológica:

Na minha opinião essa é a pior e mais temida! Pois nessa fase os animais podem apresentar tremores, incoordenação, paralisia dos membros pélvicos, vocalização e convulsões. 

A doença não segue necessariamente esse curso de sintomas. Isso porque essas fases podem aparecer de forma isolada ou de forma concomitante.

A cinomose segue um curso incerto, pois pode durar 10 dias, ou até mesmo semanas/ meses. Já o tratamento é baseado em controlar os sintomas clínicos apresentados. Então usamos antibióticos, antivirais, vitaminas, anticonvulsivantes.

A fisioterapia para cães é indicada para aqueles pacientes que apresentam fraqueza, incoordenação e paralisia nos membros pélvicos. Isso porque o alongamento e mobilização são essenciais. Para os pacientes com mioclonias, massagens também vão super bem a fim de evitar as contraturas musculares.

Apesar de ser uma doença que causa alta mortalidade, podemos prevenir com a vacinação. A famosa vacina V8 ou V10 pode ser aplicada nos filhotes a partir de 45 dias de vida… converse com seu veterinário de confiança para estabelecer o melhor protocolo para o seu pet. 

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Artrose

Com certeza você já ouviu falar sobre artrose! Ela é uma doença degenerativa articular comum em cães idosos causada pelo desgaste natural da articulação. 

Eventualmente pode aparecer em cães jovens, mas está sempre associado a  genética e obesidade que sobrecarrega as articulações. 

A artrose causa muita dor nos pacientes, dificultando a sua mobilidade. E essa dificuldade faz com que ele faça mais força ao tentar se movimentar causando mais sobrecarga nas articulações e vira um ciclo sem fim. 

Geralmente o principal sintoma observado nesses pacientes, é a dificuldade em sentar e levantar, mancar (claudicação), andar rígido, intolerância a exercícios, irritabilidade (pela dor) e a demora na percepção desses sinais pode levar uma atrofia muscular a perda de movimento. 

Essa doença não tem cura! Mas podemos fazer tratamento que consiste  principalmente em tentar reduzir o avanço da degeneração articular. Para isso podemos associar o uso de medicamentos analgésicos, antiinflamatórios, suplementos articulares e complementar com a fisioterapia, acupuntura, ozonioterapia.

A fisioterapia para cães que apresentam artrose, consiste principalmente no controle da dor, exercícios para fortalecimento da musculatura, alongamento e massagens para melhorar a movimentação.

Fratura em Cães

As fraturas nos ossos ou mais popularmente “osso quebrado” geralmente são decorrentes de traumas ou grande impacto. Normalmente os ossos longos são os mais afetados pelas fraturas como o fêmur por exemplo (osso da coxa)… Mas as fraturas podem acontecer em qualquer osso. Por exemplo no quadril, mandíbula, coluna, rádio, ulna etc.

Não é só o trauma e o impacto que podem resultar em fratura, mas também. tumores ósseos, problemas nutricionais e em casos de pets muito pequenos uma simples brincadeira com um cachorro maior pode resultar em tragédia. 

E como perceber se o cão teve uma fratura?

  • Os animais que apresentam fraturas em costela podem ter dificuldade para respirar.
  • Animais que têm fratura na mandíbula podem ter dificuldade para se alimentar e beber água.
  • Mas os sinais mais comuns quando há fratura é a dor, inchaço, falta de apetite, agressividade.

Para escolher o melhor tratamento,além de medicamentos para analgesia, anti-inflamatórios e antibióticos é necessário realização de exames de imagem como Raio X para decidir se a melhor opção de tratamento é a cirurgia ou imobilização. E em casos de fraturas na coluna é necessário realizar tomografia ou ressonância e a cirurgia é sempre a melhor opção para descompressão da medula.

A fisioterapia para cães com histórico de fratura é sempre recomendada! Isso porque ela vai ajudar a melhorar a condição de dor, melhorar inchaços, a cicatrização e reabilitar o membro acometido de forma mais rápida.

Displasia Coxofemoral 

Essa doença é bem comum em cães e gatos de porte grande ou gigante, tem caráter hereditário, mas pode ser adquirida onde a articulação do fêmur (coxa) apresenta incongruência e degeneração no encaixe com o quadril (bacia).

As raças de cães mais acometidas são de grande porte, como Labrador, Golden Retriever, Pastor Alemão, Rottweiler, Bernese. 

Se o paciente tiver herança genética, os sinais clínicos podem começar a aparecer a partir dos 4 meses de idade. Mas se for um grau mais leve de displasia os sinais podem aparecer de forma mais tardia com uns 2 a 3 anos de idade.

E dentre os sinais que eles apresentam, esses são os mais clássicos:  

  • Andar manco;
  • Estalos;
  • Dificuldade em levantar
  • Rigidez dos membros
  • Sentar de lado
  • Atrofia muscular dos membros posteriores 

Para chegar ao diagnóstico da forma correta, é preciso realizar exame de Raio X do quadril a partir dos 4 meses e o diagnóstico definitivo é confirmado com 2 anos.

O tratamento conservativo para esses pacientes junto com algumas medicações e suplementos (condroprotetores, analgésicos, controle de peso) têm apresentado um bom resultado. 

A fisioterapia para cães displásicos ajuda bastante no controle da dor, na redução dos sintomas clínicos e no fortalecimento da musculatura afetada ajudando a estabilizar a articulação.
Existem alguns casos onde a cirurgia é indicada e aí cabe ao profissional veterinário avaliar e escolher qual técnica vai realizar: Denervação, prótese de quadril ou colocefalectomia. 

Independente de qual escolha o profissional fizer, a fisioterapia será recomendada no pós operatório para acelerar o processo de recuperação.

E então, gostou de entender mais sobre a importância da fisioterapia para cães? Comente aqui e se tiver dúvidas, deixe-as abaixo ou converse comigo no Instagram @abcdospoms.

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